Terca-Feira, 28 de Dezembro de 2021

‘Não é um adeus; é um até logo’, diz ator André D’Lucca sobre mudança para SP

“A gente é o que nasceu para ser. Eu sempre fui ator”. É assim que o artista, dramaturgo e professor André D’Lucca define sua vocação para as artes cênicas. Cuiabano, o ator ganhou notoriedade principalmente por sua personagem Almerinda. Inclusive, é com um espetáculo de Almerinda que D’Lucca se despede de Cuiabá, em novembro deste ano. Rumo a São Paulo, o ator pretende dar continuidade em sua carreira, ampliando as possibilidades e as conexões artístico-culturais.

Mas, afinal, como surgiu o interesse pela atuação? André conta que desde a infância, por volta dos sete anos, ele já imitava vozes femininas e masculinas. “Lembro de imitar a voz da minha mãe e enganava os parentes e as amigas delas. Sempre tive facilidade em fazer vozes femininas”, relembra. O ator lembra também que ainda criança já “cobrava” por suas apresentações em casa. “Pegava caixas e colocava um pergaminho e à medida que as pessoas iam passando em frente, eu ia contando as histórias”, recorda-se. Foi assim que iniciou sua trajetória nas artes cênicas.

Apesar de demonstrar esse talento desde menino, D’Lucca conta que no início sua família não recebeu bem seu interesse em desenvolver seu potencial artístico. “Todas as vezes que perguntavam o que eu iria ser quando crescer, minha mãe respondia que ia ser médico. Fui criado para ser médico. Mas eu nunca gostei de hospital. E minha mãe dizia: ‘não criei você para ser artista’. Porém, esse era o sonho dela e não meu”, conta.

Durante a adolescência, André estudou na antiga Escola Técnica Federal (hoje Instituto Federal de Mato Grosso – IFMT) e foi lá que viu um espetáculo do Grupo Ânima. “Fiquei encantado e confirmei o que queria fazer”, comenta. Depois disso, o ator passou a se dedicar ao teatro, acumulando 31 anos de atuação no teatro. Inicialmente, ele integrou o Ânima por três anos e posteriormente ficou cinco anos no Grupo Cena Onze.

André ressalta que é apaixonado pela área artística e em atuar. Ao longo dessa trajetória, um marco foi quando completou 10 anos de carreira, pois começou a escrever seus textos. O primeiro foi “Antes só do que só acompanhado”, que foi um texto escrito antes de se mudar pela primeira vez de Cuiabá. “Foi uma peça muito bem recebida. Lotamos o teatro da UFMT”. D’Lucca lembra que uma jornalista o questionou sobre as personagens femininas serem caricatas. A partir dessa crítica, ele passou a pesquisar mulheres fortes e contraditórias. “Lembro que achei Narcisa Tamborindeguy, Vera Loyola e Rosinha Garotinho. Misturei todas e assim nasce Almerinda, mas que aos poucos foi ganhando personalidade própria”.

Depois disso ele escreveu uma de suas peças teatrais mais famosas: “Os Segredos de Almerinda”, nascendo assim sua personagem mais icônica. “Comecei a escrever não porque eu queria, mas por necessidade. Queria comprar uma peça do Nelson Rodrigues, mas era quatro mil os direitos autorais e mais 20% da bilheteria, eu acho. A partir daí, comecei a escrever os meus textos. Raramente, eu monto algo que não é meu. Inclusive, os roteiros que estou escrevendo para cinema – área em que agora também estou investindo – também são meus”, explica.

 

Inovação em tempos incertos

D’Lucca conta que as redes sociais digitais não eram seu forte. Apesar de ter perfil no Instagram, ele fala que foi um amigo dele quem criou e ele pouco dava atenção. Porém, diante do isolamento social por conta da pandemia de Covid-19, o setor artístico sofreu fortemente o impacto das medidas necessárias para conter o vírus. Foi nesse momento desafiador que o ator, mais uma vez, soube se reinventar. “Saltei de 10 mil seguidores no Instagram para 60 mil em um ano. Hoje, essa rede social é uma das formas de complementar a minha renda. Sou muito grato pelas minhas redes sociais e aos meus seguidores”, reconhece.

Além de investir nas mídias sociais digitais, o ator também está se dedicando ao cinema. “Foi uma área que sempre quis fazer, mas não tinha tido oportunidade. Trabalhei sempre nas frentes das câmeras, mas queria estar atrás delas. Porém em uma tentativa frustrada de fazer um longa-metragem, acabei me traumatizando e fiquei mais de uma década sem fazer nada de cinema”, esclarece. No entanto, D’Lucca acrescenta que, neste ano, com a morte do seu irmão, ele passou a se perguntar que sonho tem e o que ainda não realizou. “Então, resolvi também me dedicar ao cinema. Investi tudo que tinha em equipamentos e hoje tenho minha miniprodutora”, informa André.

Irreverente e crítico, D’Lucca fez da política sua marca, ou melhor dizendo: da crítica política sua assinatura artística. “Eu sabia que pagaria um preço, mas não imaginaria que seria tão alto. No início, iria para São Paulo por conta disso. Meu trabalho não é para agradar ninguém. É para agradar a minha alma de artista. Mas isso foi só primeiro motivo para eu decidir ir embora. Depois também me estimulou a ideia de alçar novos voos e buscar novas oportunidades”, revela.

 

Formação em teatro

Um artista múltiplo e sempre inovador, André também se dedica a dar aulas de teatro, tendo montado uma Escola de Teatro há cinco anos. “A maioria me procurava por conta de timidez, mas acaba adorando a área. Formei milhares de profissionais. Além disso, nós sempre tivemos alguns tipos de formação por meio de grupos de teatro e pelo Sesc. Nos últimos anos, com a criação da MT Escola de Teatro, a formação foi ainda mais impulsionada, por agora termos um curso superior. Acredito que precisa ter uma valorização do artista local. Temos muitos grandes talentos em Cuiabá e Mato Grosso”.

Sobre sua nova fase, em São Paulo, André D’Lucca diz: “Não é um adeus. É um até logo”. Graças às redes sociais, mesmo longe geograficamente, poderemos ter o ator sempre por perto, mesmo distante.

 

@atorandredlucca

facebook.com/dlucca.andre

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