Quarta-Feira, 08 de Abril de 2026

Fake news: Uma verdade inquietante

O poder da mentira

Estudos de universidades Oxford (Reino Unido) e a MIT (EUA) já comprovaram que os usuários se engajam, promovem e viralizam mais fake news do que temas reais. E o pior, boa parte das pessoas sabe que são falsas, mesmo assim, compartilham. As notícias falsificadas ou deslocadas estão cada vez mais sofisticadas, revestidas de um “rosto” amigável e bem produzidas, tendo como base conteúdos explosivos e polêmicos. Se utilizam das disputas ideológicas e as assimetrias culturais, sociais e econômicas para se propagar. A pós-verdade impera. Transformam a opinião em verdade. E se discordar, invoca-se a liberdade de expressão.

Ao analisar o impacto das fake news nas administrações públicas, como foco de estudo na resolução de problemas complexos no Master em Liderança e Gestão Pública do CLP, tive a oportunidade de desatar um pouco deste nó. Ao usar técnicas elaboradas pela Universidade de Harvard, foi possível listar causas-raízes bem incômodas e pouco discutidas.

A Educação contra a fake news

Todavia, há uma porta que se abre lá no fundo, pouco falada, mas fundamental: a educação. Cidadania não é trabalhada dentro das salas de aula. A compreensão dos cidadãos de seus direitos e deveres é muito rasa. A Interpretação de texto é outra falha grave no ensino brasileiro. Os alunos saem da escola sem entender redação básica, o que facilita a difusão de notícias enganosas. Barreiras sociais e econômicas impedem a população de acessar informações, mesmo dentro das escolas. Não há incentivo à leitura. Apesar de estar inserida na Base Nacional Curricular Comum Brasileira, a educação midiática ainda é pouca adotada, mas seria o melhor caminho para deter o vírus da desinformação no seu estágio inicial.

Já existem iniciativas, mesmo que incipientes, que pretendem furar essas barreiras. Em Pelotas, num projeto experimental, busquei criar um ambiente que unisse poder público, universidade, especialistas, estudantes de jornalismo e a comunidade. A proposta era capacitar os alunos para que pudessem levar para um público, no caso um grupo de idosos de um bairro da cidade, noções básicas para identificar conteúdo falsos ou deslocados e impedir sua disseminação.

Quando ouvimos de uma senhora que agora ela não ia mais compartilhar uma postagem sem antes conferir sua veracidade, nossa missão, naquele dia, estava realizada. Vencer a onda da desinformação ainda é algo intangível, uma verdade inquietante. Mas se a gente pudesse repetir ações como as que Pelotas fez? Todos os dias, em todos os lugares, para milhares?

Luis Gustavo de Azevedo é jornalista formado pela PUC-RS e líder MLG – Master em Liderança e Gestão Pública. Atuou como diretor do núcleo digital da Prefeitura de Pelotas e foi Assessor Especial de Comunicação. Está à frente da Ascom, onde lidera as equipes de comunicação do governo.

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