O setor representa a força do campo que sustenta o Brasil e alimenta o mundo
Mato Grosso consolidou-se como uma das maiores potências produtivas do planeta, reunindo agricultura, pecuária, tecnologia e protagonismo econômico. O agronegócio deixou de ser apenas atividade produtiva para se tornar eixo estratégico da geopolítica global, influenciando diretamente a segurança alimentar, a estabilidade econômica, as relações internacionais e a soberania nacional. Em um mundo pressionado por crescimento populacional e escassez de recursos, o Brasil ocupa posição central e Mato Grosso se destaca como símbolo dessa força.
É nesse cenário que ganham relevância duas vozes com autoridade prática e técnica: Dra. Flaviane Ramalho, advogada com mais de duas décadas de atuação, especialista em Direito Agrário e Direito do Agronegócio, que reúne sólida experiência jurídica e vivência real no campo, após mais de uma década atuando diretamente como agricultora, sendo carinhosamente conhecida como Flaviane do Bolsonaro; e Vilmar Bolsonaro da Shopee, agricultor que vive diariamente os desafios da produção rural e conhece, na prática, a realidade de quem planta, investe e produz no campo.
Ambos conhecem de perto os riscos climáticos, os altos custos da atividade, as oscilações do mercado e a responsabilidade de quem depende diretamente da terra para produzir. Mais do que presença no setor, assumem a defesa de reposicionar o agro no centro do debate em Mato Grosso e em nível nacional, demonstrando que sua proteção ultrapassa o interesse individual do produtor e se conecta diretamente com o interesse homogêneo, coletivo e estratégico do Brasil.
Diante da relevância do tema, realizamos esta entrevista com a Dra. Flaviane e com Vilmar Bolsonaro da Shopee para levar informação clara, técnica e necessária à sociedade sobre a importância do agronegócio para Mato Grosso e o Brasil.
O agro está em tudo
Revista Magazine Ilustre: Reduzir o agronegócio a simples produção de alimentos é um erro de percepção que ainda persiste em parte da sociedade. O agro está presente no alimento que chega à mesa, mas também no algodão que vira roupa, nos medicamentos, nos cosméticos, nos insumos hospitalares, nos biocombustíveis e em inúmeras cadeias produtivas que sustentam a vida moderna. Em Mato Grosso, essa realidade ganha dimensão ainda maior, já que o estado se consolidou como uma das maiores potências produtivas do planeta. Mesmo diante desse cenário, muitas pessoas ainda associam o agro apenas à produção de alimentos. Essa visão está correta?
Flaviane do Bolsonaro: Não. Falar sobre agro é falar sobre vida. É falar sobre o alimento que chega à mesa, mas também sobre a roupa que vestimos, sobre tecnologia, desenvolvimento social, segurança alimentar e soberania nacional. O agro movimenta cidades inteiras e sustenta grande parte da economia real.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: O agro está no prato, mas também está no tecido, no óleo, nos cosméticos e até nos hospitais. O algodão é um exemplo claro disso. Ele não serve apenas para roupa, está presente em produtos médicos, farmacêuticos e de higiene. O agro percorre a vida inteira das pessoas.
O agro interessa a todos
Revista Magazine Ilustre: A defesa do agronegócio não pode ser tratada como uma pauta isolada do produtor rural. A agricultura e a pecuária alcançam um verdadeiro interesse homogêneo e coletivo, porque impactam diretamente abastecimento, inflação, geração de empregos, arrecadação e estabilidade econômica. Quando o campo produz, toda a sociedade se beneficia; quando o campo sofre, toda a sociedade sente os reflexos. Nesse sentido, defender o agro significa defender apenas o produtor rural?
Flaviane do Bolsonaro: De forma alguma. Quando o campo produz, há abastecimento, circulação de riquezas, geração de empregos e segurança alimentar. Quando o campo sofre, os alimentos encarecem, a inflação pressiona e o custo de vida aumenta. Defender o agro é defender a população inteira.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: O produtor rural não trabalha só para si. Ele trabalha para abastecer cidades, movimentar a economia e sustentar cadeias produtivas inteiras. O campo protege um interesse coletivo, não individual.
Brasil: celeiro do mundo
Revista Magazine Ilustre: Com mais de oito bilhões de pessoas no planeta e crescente pressão sobre os sistemas globais de produção de alimentos, o Brasil ocupa posição estratégica. Poucos países reúnem simultaneamente extensão territorial produtiva, clima favorável, água doce em abundância para abastecer o mundo todo por mais de 200 anos, tecnologia e protagonismo agropecuário. Falar que o Brasil é o celeiro do mundo não é exagero retórico, mas constatação geopolítica. O Brasil realmente pode ser considerado o celeiro do mundo?
Flaviane do Bolsonaro: Sem dúvida. Na minha ótica já somos, pois poucos países possuem ao mesmo tempo terra fértil, matéria-prima, abundância hídrica, capacidade tecnológica e força produtiva como o Brasil. Quem planta aqui carrega uma responsabilidade que já não é apenas nacional, é mundial.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: O Brasil ajuda a alimentar sua própria população e também o mundo. Mato Grosso, nesse contexto, é símbolo dessa força. O que acontece aqui no campo reflete diretamente fora do país.
Produzir no Brasil exige excelência
Revista Magazine Ilustre: Existe a falsa ideia de que produzir no Brasil seria fácil por conta da abundância natural. Na prática, ocorre exatamente o contrário. O produtor rural brasileiro enfrenta uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, além de exigências permanentes relacionadas à reserva legal, áreas de preservação permanente, licenciamento, fiscalização e conformidade técnica. Produzir no Brasil é mais fácil por causa da abundância natural?
Flaviane do Bolsonaro: Existe uma frase muito verdadeira no setor: quem consegue produzir no Brasil, consegue produzir em qualquer lugar do mundo. Isso demonstra a complexidade da atividade rural brasileira e a necessidade de aperfeiçoamento contínuo por parte do Poder Legislativo e do Poder Executivo para garantir melhores condições ao produtor.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: Não. Produzir aqui exige muito mais do que as pessoas imaginam. O produtor enfrenta clima imprevisível, oscilações de mercado, custos elevados e uma legislação ambiental extremamente rigorosa. Não existe facilidade, e esse cenário precisa ser analisado pelo governo.
Dívidas rurais
Revista Magazine Ilustre: O aumento expressivo de produtores rurais buscando recuperação judicial acende um alerta que vai muito além da dificuldade individual de cada agricultor. Quando o campo adoece financeiramente, toda a economia sente os reflexos. Se quem produz alimento movimenta exportações, sustenta empregos e grande parte da arrecadação nacional está quebrando, isso revela uma falha estrutural que exige atuação imediata do poder público.
A atividade agrícola é uma das mais importantes e uma das mais arriscadas do mundo. O produtor enfrenta clima imprevisível, pragas, oscilações severas de mercado, alta de insumos, juros elevados, crédito restrito e forte insegurança econômica. Por isso, em diversos países, o agricultor recebe tratamento estratégico, com políticas públicas de proteção, incentivo e fortalecimento da produção. No Brasil, o governo precisa fomentar o agricultor de forma real e permanente. Não basta reconhecer a importância do agro no discurso; é necessário garantir crédito viável, segurança jurídica, infraestrutura, apoio técnico e instrumentos eficazes de proteção financeira, e redução de juros. O produtor rural não pode ser lembrado apenas quando entra em crise.
A recuperação judicial não pode se transformar em regra nem em primeira alternativa. Antes dela, existe um instrumento jurídico muitas vezes ignorado: o alongamento do débito rural, que poucos agricultores conhecem, que quando presentes os requisitos legais, não se trata de mera liberalidade da instituição financeira, mas de verdadeiro dever de análise e reprogramação da dívida, preservando a continuidade da produção e evitando o colapso da atividade econômica. O aumento da recuperação judicial no agro é preocupante?
Flaviane do Bolsonaro: Sim, e muito. Quando o agricultor entra em recuperação judicial, não é apenas um problema individual, é um sinal de que o sistema está falhando com quem sustenta o país. Se quem produz alimento gera empregos e movimenta a economia está quebrando, toda a sociedade sofrerá os reflexos. O governo precisa fomentar o agricultor com políticas públicas efetivas, com crédito acessível, redução de juros, infraestrutura e segurança jurídica. A recuperação judicial deve ser a última alternativa, nunca a primeira, porque ela gera alta exposição patrimonial, custos elevados e impacto direto na continuidade da atividade. Antes disso, existem normas que preveem o alongamento do débito rural, tanto extrajudicial quanto judicial, que ainda é pouco conhecido e pouco utilizado. Esse tema precisa ser mais debatido pelos três Poderes, porque não se trata apenas de proteger o produtor, mas de preservar a produção, a segurança alimentar e a estabilidade econômica do país.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: O produtor rural vive uma atividade de altíssimo risco. Dependemos do clima, do mercado, do custo dos insumos e de fatores que muitas vezes fogem completamente do nosso controle. Em muitos países, o agricultor recebe apoio estratégico porque representa segurança alimentar e estabilidade econômica. Aqui, muitas vezes, ele só é lembrado quando já está afundado em dívidas. O governo precisa apoiar antes da crise, não depois dela.
Infraestrutura e logística
Revista Magazine Ilustre: Mato Grosso possui enorme extensão territorial e uma das maiores capacidades agrícolas do mundo, mas ainda enfrenta graves gargalos logísticos. Ferrovias, rodovias, pontes e estradas vicinais precárias comprometem o escoamento da produção, aumentam custos e impactam diretamente o preço final dos alimentos. O agro precisa sair da porteira, e para isso infraestrutura é tão importante quanto plantar. Qual é um dos maiores gargalos do agro mato-grossense hoje?
Flaviane do Bolsonaro: Melhorar infraestrutura não é apenas uma pauta do agro, é uma pauta de desenvolvimento estadual e nacional. Sem estrada, sem ferrovia e sem segurança no transporte, até a melhor produção perde força.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: A logística. Não adianta produzir bem e não conseguir transportar com segurança e custo viável. Estrada ruim encarece tudo e afeta diretamente o produtor e o consumidor.
Pequeno, médio e grande produtor
Revista Magazine Ilustre: O agro não pertence a um único perfil econômico. Pequenos agricultores, médios produtores, grandes produtores, cooperativas, famílias rurais e até comunidades indígenas compõem a força produtiva do campo brasileiro. Não há hierarquia de importância, mas complementaridade. Cada um exerce papel essencial na segurança alimentar e no desenvolvimento econômico. Existe hierarquia entre pequeno, médio e grande produtor?
Flaviane do Bolsonaro: Não existe hierarquia, existe complementaridade. O pequeno, o médio e o grande produtor fazem parte da mesma engrenagem econômica e social, cada um com sua importância e sua função dentro da cadeia produtiva. Todos são essenciais, especialmente em Mato Grosso, que possui uma grande diversidade de produtores e demonstra que o agro é plural, forte e fundamental para o desenvolvimento econômico e social.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: O pequeno abastece o mercado local, o médio fortalece a economia regional e o grande impulsiona volume e competitividade internacional. O agro é plural e precisa ser tratado assim.
Posse, propriedade e função social da terra
Revista Magazine Ilustre: No Direito Agrário, é essencial distinguir posse e propriedade. A propriedade está ligada ao título e ao registro formal; a posse está relacionada ao exercício legítimo sobre a terra, ao trabalho, à produção e à sua destinação econômica e social. A Constituição Federal garante o direito de propriedade, mas também exige que ela cumpra sua função social. Defender a terra produtiva significa proteger tanto o proprietário regular quanto o posseiro de boa-fé que exerce a atividade de forma legítima, pacífica e contínua, sem fraude, precariedade ou violência. O que o sistema jurídico deve resguardar é quem efetivamente trabalha e dá função econômica e social à terra. A invasão de áreas produtivas gera insegurança jurídica, afasta investimentos, compromete a produção e impacta toda a economia. Por isso, o campo precisa de proteção institucional, segurança jurídica e atuação firme do Estado para garantir o respeito à propriedade regular e à posse legítima. Além disso, é necessário reconhecer o direito do produtor de se proteger. O homem do campo vive, muitas vezes, isolado, distante de centros urbanos e da presença imediata do Estado. Por isso, o acesso à proteção pessoal, dentro dos limites legais, é tema relevante para garantir a segurança de quem trabalha e produz, especialmente diante de ameaças e invasões. Por que esse tema é tão importante no campo?
Flaviane do Bolsonaro: Porque a terra não pode ser vista apenas como patrimônio parado. Ela precisa produzir, gerar empregos, renda e desenvolvimento. Defender a função social da terra é proteger tanto o proprietário quanto o posseiro de boa-fé que trabalha de forma legítima. Invasões e conflitos fundiários enfraquecem a segurança jurídica e prejudicam toda a sociedade, por isso devem ser combatidos. Ao mesmo tempo, é fundamental garantir proteção a quem está no campo, que muitas vezes está distante da presença do Estado e precisa de segurança para continuar produzindo.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: No campo, quem vive da terra sabe o que isso significa na prática. Quem planta, investe e produz precisa ter segurança, tanto jurídica quanto pessoal. Defender a terra produtiva é defender alimento, economia e estabilidade. E quem está lá no dia a dia precisa ter condições de se proteger, porque muitas vezes está sozinho, longe de tudo, enfrentando riscos reais.
Maquinários agrícolas e tecnologia
Revista Magazine Ilustre: O agro moderno é altamente tecnológico. Tratores, plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores e sistemas de agricultura de precisão aumentam a produtividade, reduzem desperdícios e melhoram a eficiência no campo. Hoje, já existem inclusive máquinas com alta precisão tecnológica, piloto automático, telemetria e até equipamentos movidos a combustível alternativo, como o etanol, tornando a produção mais eficiente e sustentável. Esse avanço não pode ficar restrito apenas aos grandes produtores. O pequeno e o médio agricultor também precisam de acesso a maquinários modernos, crédito rural e incentivo real para fortalecer sua produção e garantir competitividade. O governo precisa fomentar o produtor rural com políticas públicas efetivas, linhas de financiamento e taxas de juros mais acessíveis, porque investir em tecnologia no campo não é luxo, é necessidade para manter a produção e a segurança alimentar. A tecnologia precisa chegar a todos os produtores?
Flaviane do Bolsonaro: Sim. A tecnologia no campo não pode ser privilégio de poucos. Pequeno, médio e grande produtor precisam de acesso a maquinários modernos, crédito viável, taxas de juros mais acessíveis e incentivo real do governo para produzir melhor. Investir em tecnologia é investir em produtividade, competitividade e segurança alimentar. Outro fator que impacta diretamente o produtor são os juros elevados para aquisição de maquinários e tecnologias, pois as taxas atuais dificultam o acesso ao crédito e inviabilizam investimentos essenciais. Falta uma política de financiamento com juros mais acessíveis, que permita ao produtor investir com segurança. No fim das contas, essa combinação, ausência de políticas eficazes, deficiência de infraestrutura e crédito caro, tem comprometido a eficiência do setor e causado perdas que poderiam ser evitadas com planejamento e apoio adequado dos governos municipal, estadual e federal.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: Hoje ninguém produz bem sem máquina e tecnologia. Um bom maquinário economiza tempo, reduz custo e melhora a colheita. Já existem máquinas com alta precisão e até movidas a etanol, mostrando como o campo evoluiu. Modernizar o agro não é luxo, é necessidade. Além disso, um dos pontos mais críticos é a ausência de uma política mais consistente de viabilidade de financiamento voltada à aquisição de maquinários, de tecnologia, e de construção de silos e armazéns, pois essa falta de estrutura de armazenamento tem causado prejuízos recorrentes, com perda significativa de produção, especialmente em períodos de safra mais intensa. Além disso, há um problema estrutural de infraestrutura que agrava ainda mais esse cenário. É comum vermos longas filas de caminhões aguardando para descarregar, o que acaba gerando atrasos e, muitas vezes, perdas ainda na lavoura.
Pecuária também sustenta o Brasil
Revista Magazine Ilustre: O agro não é apenas lavoura. A pecuária também sustenta a economia brasileira e tem enorme força em Mato Grosso, a produção de carne movimenta frigoríficos, transportes, empregos, exportações e toda uma cadeia produtiva essencial. E a pecuária moderna evoluiu em manejo, genética, recuperação de pastagens e eficiência produtiva, mostrando que produção e preservação podem caminhar juntas. A pecuária também precisa ser defendida dentro do agro?
Flaviane do Bolsonaro: Com certeza. Defender a pecuária é defender parte essencial da economia e da segurança alimentar do país. Mato Grosso tem enorme força nesse setor, e a pecuária moderna evoluiu muito em tecnologia e sustentabilidade.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: Agricultura e pecuária caminham juntas. A pecuária gera emprego, renda e abastecimento. Defender o pecuarista é defender produção, economia e estabilidade.
O agro não é apenas setor, é destino
Revista Magazine Ilustre: Qual a principal mensagem que vocês querem deixar?
Flaviane do Bolsonaro: O agro não pode ser tratado apenas como um setor da economia, porque ele sustenta o Brasil. Está no alimento que chega à mesa, na roupa que vestimos, na geração de empregos, na força da nossa economia e na soberania da nossa nação. Valorizar o homem do campo não é uma escolha, é uma necessidade. O agro representa trabalho, tecnologia, segurança alimentar, dignidade e futuro. Acima de tudo, o agro é vida.
Vilmar Bolsonaro da Shopee: O agro não é apenas negócio, é missão. O agricultor enfrenta sol, chuva, risco, dívida e incerteza para garantir que não falte alimento na mesa de ninguém. Ele não planta apenas para si, ele planta para o Brasil e ajuda a alimentar o mundo. Respeitar o agro é respeitar quem sustenta esta nação e o mundo.










